quinta-feira, 30 de junho de 2011

A Origem: deu um nó também?

Bom, eu estava vendo o filme e no final, eu notei um acontecimento que me criou uma interrogação. De alguma forma pretendo explicar o que me (nos, se preferir) deixou inspirado.


Os níveis de sonho e Tempo
Para começar, vamos da base dos sonhos. No filme eles explicam que o tempo dentro de cada camada do sonho é aumentado de forma exponencial. Isso porque a percepção de tempo acordados usa uma pequena porção de nosso cérebro e depende da física do mundo a nossa volta para existir. Durante o sonho, o cérebro usa uma parcela maior da capacidade cerebral e além disso, por não haver uma física do mundo que nos rodeia a não ser a criada pelo cérebro, o tempo se torna algo que depende exclusivamente do mundo criado pela sua mente. Em cada nível dos sonhos você usa uma proporção maior de sua capacidade cerebral, o que aumentaria em muito o poder de processamento de sua mente e por conseqüência faria o tempo acelerar. O sonho dentro do sonho coloca cada vez mais você longe da realidade. Quanto mais fundo você for, mais longe sua mente estará da realidade. Isso explica o porque do Limbo ser um nível de sonho tão difícil de se acordar. O mundo do Limbo se torna tão real que a mente não tem porque acordar, pois aceita o mesmo como realidade. A mente trabalha de forma tão rápida no limbo que minutos são transformados em anos. Quando Saito morre do tiro que ele tomou no nível 1, sua mente cai no limbo. Os poucos minutos de sua morte no nível 3 são diversos anos no limbo. Saito já é um homem idoso quando Cobb o encontra. Mal (cópia) apunhala Cobb o que ocasiona a volta de Cobb ao limbo e às margens da casa de Saito no limbo. Quando Cobb tem que voltar do limbo, sua mente já não se lembra da realidade. O token que ele trazia lembra Saito dele num pasado distante e a menção das orações “Salto de fé” e  “Homem velho cheio de arrependimentos, esperando pela morte”, oriundas de diálogos significativos entre ambos funcionam como um gatilho que lembra a eles da realidade. Fica subentendido que ambos “suicidam-se” no limbo e retornam a realidade no avião.


Equipe de criação dos sonhos
O Extrator – O extrator é o mestre dos trapaceiros, uma pessoa que consegue manipular sua vítima para revelar seus segredos mais profundos. Na realidade, ele funciona como um clássico “171” que cria circunstâncias para que a vítima seja ludibriada. Nesse filme interpretado por Leonardo di Caprio.

O arquiteto – O arquiteto é o designer do sonho em que o extrator levará a vítima. Pode-se traçar um paralelo com um designer de games, exceto que nesse caso ele cria as “fases” dentro do sonho, com sutilezas estéticas e táteis. A vítima é trazida para dentro do mundo construído e o preenche com detalhes do seu próprio subconsciente e memórias, o que convence que o sonho construído pelo arquiteto é real – ou ao menos, o sonho da própria vítima. O arquiteto pode manipular a física do sonho, podendo criar paradoxos, tal qual a escada infinita, no sentido de tornar o sonho em uma espécie de labirinto. O labirinto é construído no sonho de forma que: 

A- A vítima não chegue ao fim do mundo criado e perceba se tratar de um sonho. 
B- Para que a vítima percorra o labirinto, levando o extrator ao lugar onde os segredos da vítima são mantidos.
O sonhador – O arquiteto e o sonhador não são necessariamente a mesma pessoa. O arquiteto desenha o mundo do sonho/labirinto e pode ensinar o labirinto para o sonhador. O sonhador é a pessoa em que a mente na verdade abriga o sonho e é na mente do sonhador que a vítima é levada para ser enganada pelo extrator. O sonhador permite a vítima que preencha com conteúdo de seu subconsciente e se a estabilidade do sonho não for mantida o subconsciente da vítima vai perceber estar sendo ‘invadida’ e tentará eliminar o sonhador para se libertar.
O falsificador –Eames é um mestre na imitação de maneirismos das pessoas – e no mundo dos sonhos ele pode imitar suas aparências. Ele é uma peça chave no primeiro nível, pois Eames interpreta Peter Browning (Tom Berenger), conselheiro de Robert Fischer.
Usando a imagem de Browning, Eames sutilmente sugere a Fischer a mudar alguns de seus conceitos a respeito do mesmo, como podemos perceber pela imagem criada por Fischer de Browning no Segundo nível do sonho, no hotel.

Mal (e a representação de Cobb)–
 Mal é o personagem que traz ao filme questionamentos complexos a respeito da realidade. Mal e Cobb viveram no limbo por muito tempo e ela acabou por adotar o mundo criado por ela como real. Para mostrar que o mundo em que viviam não era o real, Cobb insere em Mal a idéia de que o mundo que ela vive não era o real. No entanto, como percebemos no decorrer do filme ela trouxe essa noção em seu subconsciente mesmo depois de sair do limbo, o que fez com que ela se suicidasse afim de voltar ao mundo real. No climax do filme quando Cobb e Ariadne chegam ao limbo, Mal (cópia) levanta uma questão a Cobb se a perseguição por corporações conspiratórias não é um sonho. Levantando a questão de se toda a história que acompanhamos de Cobb não se trata apenas de um sonho. 
Mesmo quando você está acostumado com a ideia do sonho dentro do sonho, acompanhar a sequência em que o time de Cobb entra nas três fases do sonho de Fischer pode ser complicado acompanhar qual o "sonhador" de cada fase.

Segue uma pequena explicação de quem é o sonhador de cada nível:
Cidade chuvosa –  Yusuf o químico é o sonhador desse nível. Yusuf estava tomando champagne no "mundo real", no avião, então quando está adormecido, está com vontade de urinar, por isso a chuva. Yusuf é o motorista da van, pois o sonhador do nível deve ficar no nível que criou.

O hotel  Arthur sonha o hotel, e por isso ele deve permanecer ali enquanto o resto do time desce para o nível seguinte (Fortaleza na neve).  Durante a queda da van da ponte, os corpos dos ‘sonhadores’ começa a flutuar, dado que no nível anterior os corpos dos "sonhadores" experimentam uma alteração na gravidade.
    Fortaleza na neve – Eames sonha esse nível. Nessa parte do filme é questionável o porque de não haver alteração na gravidade do sonho. Pode-se considerar um nível de sonho tão profundo que a alteração de gravidade no nível anterior não afeta.
      Limbo – Limbo é um nível do sonho que compreende a parte mais profunda do subconsciente. Como todas as pessoas que participaram do sonho estão sedadas fortemente, se morrerem iriam para o limbo e aparentemente, depois do terceiro nível do sonho, ao sonhar você chega ao limbo, caso de Cobb e Ariadne, que vão resgatar Fischer.
        O Fim
        O final de  "A Origem" é extremamente complexo e dar uma teoria definitiva a respeito do que realmente acontece seria leviano. No entanto vamos apresentar teorias e evidências que apóiam as mesmas. O token em forma de pião que encerra o filme foi obviamente um artifício para deixar o espectador em dúvida se Cobb está ou não dentro do sonho ainda.
        Abaixo tenho algumas coisas que deixaram para nós botarmos nossa cabeça para funcionar:
        - Saito realmente liberou a entrada de Cobb com apenas uma ligação?


        Saito acorda e liga para alguém e simplesmente como mágica a entrada de Cobb nos EUA está liberada. Eu particularmente acho isso muito estranho.Entretanto, gente com tanta grana é capaz de fazer muita coisa que nem posso imaginar.
        - O que o sogro de Cobb, Miles, que estava na França foi fazer nos EUA?


        Primeiro que me incomoda em muito Miles, mesmo sendo sogro de Cobb o tratava tão bem sendo que na verdade ele é considerado responsável pela morte de Mal, mas eu acho que ele tinha confiança e Cobb. O porque de Miles estar nos Estados Unidos, no começo do filme Cobb está falando com as crianças e diz a elas que mandaria presentes pelo seu avô. Portanto ele deveria estar indo aos EUA em data próxima.
        - As crianças tem a mesma idade da última memória dele e estão vestindo as mesmas roupas?


        No final do filme as crianças vestem roupas parecidas com as da mente de Cobb, mas se observarmos bem, veremos muitas diferenças. Com relação às idades das crianças, segundo a IMDB, tem dois pares de atores fazendo os irmãos Philipa e James. Philipa com 3 e 5 anos e James com 1 ano e 8 meses e 3 anos de idade.
        - Por que ele teria recebido do advogado ou similar uma passagem de fuga e não teria tempo nem de abraçar seus filhos?


        Temos várias explicações sobre esse fator. Uma delas é que Cobb não encontrou juízo ao descobrir que seria preso e pela euforia do momento, decidiu fugir o mais rápido possível.
        - Por que Ariadne se interessa por esse emprego?


        Ariadne é uma brilhante e promissora arquiteta, porque se meteria com uma gangue de vigaristas para "arquitetar" durante os sonhos se não foi demonstrado em momento algum que partilhar sonhos é uma atividade ilegal. Apenas Inserções e extrações são ilegais.


        Teorias sobre o Final intrigante


        #1 - Segunda teoria que cria ramos para diferentes teorias a respeito do final:
        - O pião não cai. E não é a realidade que estamos vendo. Então, como ele criou uma realidade dentro do sonho da realidade?
        #2 - Poderia ser a partir do momento que Cobb vai ao limbo.
        No início do filme vemos como Cobb está obcecado em saber se a realidade em que vive realmente não é sonho. Vemos ele rodando o token e esperando ele parar de rodar segurando uma arma. O sogro de Cobb nos é apresentado como um precursor da navegação de sonhos e que ele quem ensinou ao genro como fazê-lo.  No entanto, não parece guardar nenhum rancor com relação a ele pela morte da filha, deixando implícito que ou ele acredita na inocência do genro ou porque a morte da filha nesse plano não importa (teria ela ido para a realidade ao pular do prédio?). Miles tem dois enormes tormentos na vida. Sentir-se culpado pela morte de Mal e não poder reencontrar seus filhos. Miles contrata Nash, o primeiro arquiteto e Saito para ajudar a inserir a idéia de que ele não é culpado pela morte de Mal. Saito oferece como recompensa de um serviço a Cobb o que ele mais deseja, ver os filhos. Nota-se que tendo essa premissa como verdadeira, a indicação de um arquiteto é agora tarefa de Miles. Quem é contratada para o serviço é Ariadne (nome de origem grega, de uma princesa que ajuda Teseu a sair do labirinto do Minotauro), que parece bastante interessada  a respeito da relação entre Cobb e Mal, desde o início. Seria,  portanto Ariadne a responsável por inserir essa nova idéia na cabeça de Cobb. Partindo dessa premissa,  tem sentido Ariadne tentar acompanhar Cobb em todos os níveis de seus sonhos e finalmente conseguir seu objetivo de inserção. Cobb no final estaria então livre de qualquer sentimento de culpa pela morte de Mal, mas estaria ainda no final dentro de um sonho.
        Resumindo, no filme não há um final realmente, é somente para termos uma impressão de que "Meu Deus, ele fez aquela porra toda para no final, descobrirmos que é um sonho? Como assim Bial?" 

        Aqui eu tenho um vídeo que compara a música do "Chute" com a música tema. Sinistro! 


        E você, como chegou até aqui... Você se lembra?

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